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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Winetour na Viu Manent

Chegamos na Viu Manent uma hora antes da visita marcada por pura distração: começou o horário de verão e não acertamos nossos relógios... Tudo bem, assim sobrou tempo pra visitar devagar essa beleza que é a Viu Manent. Um casario no estilo "hacienda", espanhol colonial, que é chamado de "llavería"  porque antigamente alí se guardavam as máquinas e os cavalos, ou seja, aí estavam as "chaves".
No pátio interno, um jardim e um pequeno museu com maquinaria antiga: enchedoras, filtros... Serve de decoração para um espaço reservado pra festas que conta ainda com uma parrilla, um antigo forno de barro e lugar pra um "churrasco de chão".

A Malbec é a principal uva da empresa, que, além de outras cepas, compra uvas brancas da região de Casablanca. Aqui em San Carlos de Cunaco são plantados 250 hectares. O interessante é que a empresa planta também oliveiras junto com os parreiras pra evitar pragas. Olha aí o conceito orgânico.

Fredy, o nosso guia, nos conduziu por um passeio de charrete da "llavería", passando pelos vinhedos, até a vinícola propriamente dita. Há também um campo de equitação e vinhas bem antigas, das quais a empresa produz clones. A colheita começa em fevereiro e termina em maio. Como é comum no Chile, os vinhedos desse solo calcáreo são irrigados, nesse caso por inundação. 
Já na vinícola, nosso guia contou a história da uva Carmenère. Pra quem não sabe, inicialmente achavam que ela havia se extinguido por causa de uma praga, a Filoxera. No Chile mesmo acreditavam que ela fosse um tipo de Merlot. Como os chilenos não são bobos nem nada, notaram que, enquanto a Merlot era colhida em abril, essa outra suposta Merlot era colhida em maio. Daí, claro, fizeram uma ampla pesquisa e descobriram que se tratava da Carmenère, a sobrevivente. Veja como as coisas são, se a Carmenère não produzisse um vinho tão bom, teria emprego garantido em qualquer novela mexicana!
Bem, mas vamos a degustação. Na visita estava incluída a degustação de três vinhos. Nenhum dos tops, diga-se de passagem. Se você quiser degustar os ícones da empresa, como o Viu 1, terá que comprar uma garrafa inteira! Sim, porque nem em taça esses vinhos são vendidos... E o pior é que isso acontece em várias vinícolas.
1) Viu Manent Reserva Chardonnay 2008, Valle Casablanca 14,5º ($ 6.000 ou R$ 22,00 na vinícola):

Passsagem de 3 a 4 meses por barricas. Aroma frutado, abacaxi, manteiga, maça verde, baunilha. Esse vinho não sofre fermentação malolática, o que deixa ele mais fresco. Gostei dele, muito bom.

2) Secreto Syrah 2008, Valle de Colchágua,14º ($6.500 ou R$ 24 na vinícola):

Corte com 85% de Syrah e 15% de... um segredo guardado a 7 chaves pela Viu Manent! Com passagem de 5 meses por barrica, é um vinho floral, frutado, com aromas tostados, chocolate. É um vinho pronto, com boa acidez e taninos presentes.

3) Viu Manent Reserva Malbec 2008, Valle de Colchágua, 14º ($ 6.000 ou R$ 22 na vinícola):

Aqui uma uva que é um ícone na Argentina mostra suas características em terras chilenas. Com cor violácea, é bem vinhoso, aromas tostados, chocolate amargo, com boa acidez. Tem aroma animal, de estábulo... sabe o que é isso? Segundo a Fê, é o cheiro dos cavalos do passeio! Mas não leve pro lado negativo, of course.

Diria que a diferença para o Malbec Argentino é que estes são mais macios e frutados, diferente do exemplar chileno, mais presente. Foi o melhor dos tintos que eu provei, deve harmonizar bem com um cordeirinho.

E depois de todos esses bons vinhos... nada melhor do que uma soneca. Numa rede, embaixo dos parreirais, é o ouro!
E não perca o almoço na Viu Manent. Em breve as fotos aqui!

O que: Viu Manent (Carretera del Vino - Estrada entre San Fernando e Santa Cruz - Km 37. Fica há 1,5 Km do povoado de Cunaco. Tel 56 72 858 751 / 56 72 858350, e-mail turismo@viumanent.cl
Serviços: visitação e degustação ($ 10.000 ou R$ R$ 37) em espanhol ou inglês, com duração de aproximadamente 1 hora. Todos os dias às 10:30, 12:00, 15:00 e 16:30. Restaurante, tenda de artesanato mapuche e Café de la Viña.
Mais informação: www.viumanent.cl

Veja também:
-Chile: almoço de degustação na Casa Silva
-Chile: visita e mais vinhos na Casa Silva
-Chile: um almoço sem igual na Casa Lapostolle
-Chile: visitação na Casa Lapostolle
-Santiago: Restaurante Le Fournil
-Santiago: a cozinha afrodisíaca do Como água para Chocolate
-Deserto do Atacama: Café Adobe

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Almoço e degustação na Casa Silva

Depois de ter visitado e degustado alguns vinhos na Casa Silva, nada melhor do que um bom almoço lá. O belo restaurante, envidraçado, tem vista pra sala de barricas, um espetáculo. Muito agradável.
O serviço é a la carte, então começamos eu e a Nanda atacando com uma super entrada composta de 3 tapas (pequenas porções) pra escolher (tudo por R$ 27,00). As nossas escolhidas: Ceviche de salmão, Empanadas de queijo e Camarones Tempura. É super bem servido mesmo. E bem... tá me dando muita água na boca de escrever tudo isso e lembrar dessa comida. As empanadas não tem explicação. Massa maravilhosa, gostosa, crocante, o melhor de tudo. O ceviche é bom, o tempurá também, bem temperado, com gosto de gergelim. Mas as empanadas... que saudades!
Pra acompanhar essas delícias, pedimos um Chardonnay Doña Dominga Reserva 375 ml (R$ 15,00). Um bom vinho, gostoso, melhor na boca do que no nariz.
Bacco iria torcer o nariz aqui por um detalhe: não é que vendem cerveja aqui no restaurante da vinícola? Sim, e cada verdinha, do tipo holandesa, sai por R$ 7,00. Homenagem especial aos que estão com sede de cerveja... ou pra aqueles que estão tão bêbados que ainda não se deram conta que estão em uma vinícola!

Meu prato foi um Lomo Vetado com Quínoa (R$ 23,00), carne bovina assada na parrilla, muito macia. Gostinho de brasa, acompanhada de quínoa cozida no caldo e abacate.
Pra acompanhar pedi uma taça de Doña Dominga Carmenére 2006 (R$ 8,15). Um vinho intenso, redondo, com bastante aroma de frutas vermelhas como amora. Harmonizou mais do que bem com a carne.
A Nanda pediu uma Plateada com Quinoa Costera (R$ 22,00). É carne bovina cozida na panela. Confesso que gostei mais do meu prato. Adoro quando isso acontece! Tomara que ela não esteja lendo esse post...
Pra acompanhar, uma taça de Doña Dominga Shiraz 2005 (R$ 9,25). Um vinho igualmente bom, mas com menos corpo e menos intenso. É mais seco, com aroma de chocolate e um pouco amargo. Gostei mais do Carmenére.

No final, a conta saiu por R$ 115 pra duas pessoas, vinhos incluidos.

Quer saber mais sobre a Casa Silva? Veja aqui a visita nas instalações e a degustação de outros vinhos.

O que: Almoço na Casa Silva (Hijuela Norte S/N, San Fernando Chile. Tel 5672 710180, e-mail tours@casasilva.cl)
Serviços: Visitação sem degustação (R$ 18,50), Visitação e degustação Premium: 3 vinhos reservas (R$ 33,00), Hotel, e Restaurante. Horários de visitação: 10:30, 11:30, 12:30, 15:00, 16:00, 17:00. A reserva pra visitação é imprescindível.
Mais informaçãowww.casasilva.cl

Veja também:

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Visita e degustação na Casa Silva


A Casa Silva é parada obrigatória pra quem visitar o Valle de Colchágua no Chile. Ah, reserve tempo para o almoço, outro programa indispensável aqui.

Reservei a visita para as 10:30 e depois, almoço. Chegando lá, nota-se já a tradição da casa pelo estilo de construção "hacienda". Tradição iniciada por um francês que iniciou a bodega em 1912, a long time ago... No roteiro do vinho de Colchágua, a Casa Silva fica mais deslocada. Eu me hospedei em Santa Cruz e a vinícola fica antes de chegar em San Fernando, pra quem vem de Santiago. Então o ideal é marcar a Casa Silva como a primeira visita pra facilitar as coisas.

Quem nos atendeu foi a simpática Jimena, que nos contou que o atual dono, Mário Silva, comprou a vinícola em 1977 (antes se chamava Angostura). No total a empresa tem 700 hectares de uvas plantadas. Hoje, recebem uvas provenientes de Colchágua, Lolol, Angostura e Los Lingues.

Entrando na vinícola, nos deparamos com a bela sala de barricas, com o restaurante no alto. Lindo.


Durante a visita vi um processo curioso na produção da empresa, a fermentação natural na barrica com vidro. Segundo Jimena, é único.

Aqui é produzido um dos melhores carmenére do mundo,  vinho Microterroir.

Depois, passamos por uma linda coleção de carros antigos, do proprietário da empresa. Logo me encontrei com o enólogo responsável pelos vinhos da empresa, Mário Geisse. Ele é um velho conhecido dos brasileiros por ser o proprietáro da Cave Geisse, produtora de espumantes top em Bento Gonçalves. Uma pessoa muito atenciosa e entusiasmada pelo vinho. Hoje ele é também produtor de uvas no Valle de Colchágua e lançou com a Cave Geisse o vinho "El Sueño" Carmenére, um projeto que pretende produzir vinhos em distintos terroirs como França e Argentina, além do Chile.

Logo, visitamos os belos vinhedos da empresa, com a cordilheira de pano de fundo. Chama a atenção um belo campo de polo. No conjunto, é um cenário encantador.


Ah, se você quiser, pode se hospedar num dos 7 quartos da pousada mantida pela Casa Silva. Visitei os quartos, seguindo o mesmo estilo colonial espanhol da vinícola, bem aconchegantes.

Vinhos degustados e recomendados:

1) Sauvignon Gris 2008 ($ 24,00):
De coloração amarelo palha, é frutado, fresco, aroma de manga, maracujá e com acidez agradável. Bom pro calorzinho que se aproxima. Um bom vinho.

2) Casa Silva Los Lingues Gran Reserva Carmenére 2007 ($ 61,00)

Fica um ano em barrica de carvalho. É um vinho bem macio, com aromas que lembram menta, cacao, chocolate. Tem um bom corpo.

3) Cabernet Sauvignon Los Lingues 2007 (R$ 61,00 )
Um vinho que tem um aroma bastante herbáceo, menta, senti também chocolate amargo. Pode ficar melhor com algum tempo de garrafa.

*Veja mais vinhos aqui na degustação feita durante o almoço

O que: Casa Silva (Hijuela Norte S/N, San Fernando Chile. Tel 5672 710180, e-mail tours@casasilva.cl)
Serviços: Visitação sem degustação (R$ 18,50), Visitação e degustação Premium: 3 vinhos reservas (R$ 33,00), Hotel, e Restaurante. Horários de visitação: 10:30, 11:30, 12:30, 15:00, 16:00, 17:00. A reserva pra visitação é imprescindível.
Mais informaçãowww.casasilva.cl

Veja também:

- Chile: Degustação de mais vinhos e um grande almoço na Casa Silva
- Chile: Almoço e degustação na Casa Lapostolle
- Chile: Visita e degustação na Viña Montes
- Chile: Almoço no restaurante Le Fournil em Santiago

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Winetour na Viña Montes


Continuando a winetour de Papos de Gourmet no Chile, fui parar em outra encantadora vinícola do Valle de Colchágua, a Viña Montes. A bela construção, toda horizontal, impressiona pela modernidade. É um cenário a parte em meio ao vale. Já na entrada uma ponte sobre um espelho d´água dá uma pequena amostra do bom gosto do lugar.


A vinícola foi inaugurada em 2004 e segue os princípios do feng shui, buscando a harmonia do ambiente. Por isso a água presente no lado externo e em outras fontes no interior da empresa.

Hoje nessa unidade são produzidas ao redor de 1.700.000 litros por ano. Subimos no segundo andar pra ver onde é feita a recepção das uvas. A vista é deslumbrante... o fluxo da uva na vinícola é todo por gravidade. De cima dá pra ver o café da empresa, o Alfredo.

As vinhas mantidas pela empresa chegam a ter 93 anos de idade, sendo que colocaram algumas em vasos, essas com 80 anos! Aproximadamente 70% das uvas utilizadas são de vinhedos próprios.

A planta industrial é super moderna e conta até com um depósito de vinho com elevador para fazer a transferência para as pipas sem uso de bombas.

A linda sala de barricas tem um mimo a mais para o vinho: o néctar de Bacco descansa ao som de Canto Gregoriano... pode?


Vinhos degustados:

1) Montes Alpha Pinot Noir 2007 (USD 14,00 na vinícola)
Um bom vinho, correto, pode envelhecer. Aroma de couro, pimentão, floral, frutado, com taninos macios. Passagem de um ano por barrica.

2) Montes Limited Selection 2007 (USD 9,00 na vinícola)
Esse vinho feito para o mercado americano tem um corte de 70% Cabernet Sauvignon e 30% Carmenére. Aromas de morango, chocolate, herbáceo, mel, ameixa e caramelo. Gostei bastante do vinho, principalmente por este preço, tem um bom custo benefício.

3) Montes Alpha Syrah 2007 (USD 14,00 na vinícola)
No começo fechado no nariz, mas depois se abriram aromas de rosa, chocolate, herbáceo. Muito intenso na boca, com taninos firmes.

4) Montes Alpha Carmenére 2007 (USD 14,00 na vinícola)
Muito intenso e frutado, aromas de especiarias (pimenta), com taninos macios.

5) Montes Alpha M 2003 (USD 100,00 na vinícola)
A Wine Spectator deu nada menos que 94 pontos para essa safra. O vinho é realmente muito bom, um corte de Cabernet Sauvignon (80%), Cabernet Franc (10%), Merlot (5%) e Petit Verdot (5%). É bem elegante, denso, intenso, um vinho que vale a pena! Mas esse preço é salgadinho hein?

6) Purple Angel 2006 (USD 70,00 na vinícola)

Um vinho com um belo rótulo, o anjo púrpura que parece ser o santo protetor da empresa. O corte é de 92% Carmenére e 8% Petit Verdot. Temos aqui uma aposta na carmenére, um simbolo chileno. Tem um nariz muito intenso, com notas de geléia de fruta, caça, couro, tudo muito elegante. Na boca é macio e atraente. Um grande vinho que recebeu 93 pontos da Wine Spectator.

O que: Viña Montes (Na rodovia entre Santa Cruz e San Fernando - 200 Kms de Santiago - pegar sentido Apalta Tel. 56-72 817815 e-mail lafinca@monteswines.com)
Serviços: Visitação de degustação de 4 vinhos: 2 Alphas e 2 Gran Reserva, $ 12.000 (R$ 44,00). Degustação 3 Alphas e 1 vinho ícone - Montes Alpha M ou Purple Angel ou Folly: $ 30.000 (R$ 111,00). Almoço no café Alfredo e degustação de 4 vinhos $ 27.000 (R$ 100,00). Horário de funcionamento: 9:30, 10:30, 12:00, 15:00 (abril a setembro), 9:30, 10:30, 12:00, 15:00, 17:00 (outubro a março)
Mais informação: www.monteswines.com
Onde comprar: Importadora Mistral www.mistral.com.br

Veja também:


- Chile: Almoço e degustação na Casa Lapostolle
- Chile: Tour na vinícola Casa Lapostolle
- Chile: Winetour na Concha y Toro
- Chile: Restaurante Le Fournil em Santiago

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Um almoço sem igual na Casa Lapostolle

Já postei aqui sobre a visita e degustação de vinhos dessa brilhante vinícola chilena. Depois de conhecer a elaboração dessas jóias, é hora de um belo almoço, com um serviço de primeira. Inesquecível,  um daqueles lugares que está na lista do repeteco e aconselho pra todo mundo de olho fechado.
O almoço é servido na parte superior da vinícola, num loft que serve de restaurante e sala de estar e também para uso dos hóspedes da pousada, que na realidade são quatro casas com vista. Bela decoração, com muito bom gosto e uma vista matadora. Lá fora uma piscina e mesas, onde eu e a Fê ficamos pra se deliciar com as entradas do nosso almoço.
Pra começar, uma Torradinhas com papaya amarelo, marmelada e queijo. Linda apresentação do prato, harmonizado com o vinho Casa Lapostolle Sauvignon Blanc 2008 (R$ 41,58 na Mistral). Um vinho do Valle de Rapel. Aroma de maracujá, leve, com agradável acidez, casou bem com a entrada. Talvez a geléia devesse ser menos doce.
Enquanto curtiamos o ambiente e uma musiquinha lounge que rolava, chegou a segunda entrada: Pinchos de carpaccio de avestruz com rúcula e pêra. Muito bom, original, harmonizou melhor do que a primeira.
Mais uma entrada na seqüência, as matadoras Empanadas de queijo e cibullete. Sem explicação, macias, com sabor de Chile.
Entramos no restaurante do loft. Foi aí que o garçom serviu o próximo vinho, um Cuvée Alexandre 2007 ($ 13.000 pesos ou R$ 48,00). Um vinho sensacional e, por esse preço, um verdadeiro best buy. Um vinho "gordo", com muita fruta, muito equilibrado, daqueles que ficam na memória. Hoje estava indisponível para venda no site da importadora Mistral.
No restaurante serviram mais uma entrada pra harmonizar com o vinho Cuvée Alexandre: Salmón ahumado con hierbas, Pebre de Mote y Ceviche de Ostiones. Um prato fantástico, o salmão derrete na boca. Fica por cima do "pebre", uma mistura chilena de ingredientes como coentro, abacate, cebola, azeite de oliva, alho, com o "mote" que é o grão de trigo, que tem muito sabor. O ceviche é feito com ostiones, um tipo de ostra igual a logomarca dos postos Shell. O ceviche aqui no Chile é sempre um prato espetacular, muito aromático, que eu gostaria de ter em casa toda a semana!
Todo esse sem fim de sabores fez bela companhia ao chardonnay Cuvée Alexandre, ele aguentou a comida e sobrou. De prato principal eu pedi um Cordeiro da patagônia com molho de Carmenère, purê às olivas e vegetais assados. A Fê pediu um filé no lugar do cordeiro. Bem, o cordeiro da patagônia  é uma carne nobre e reconhecida mundialmente. Realmente é muito boa, macia e com sabor marcante. O purê é bem interessante, com azeitonas pretas e o molho é redução de vinho com geléia de amoras, ótimo.
Foi harmonizado com o grande vinho Clos Apalta 2007, que já falei dele aqui no post anterior. Ficou muito bem harmonizado com o cordeiro. O vinho tem acidez e tanino suficiente pra aguentar pratos com carnes de sabor marcante e tem uma longa vida pela frente! Aliás, deve ganhar muito com o tempo.
Na seqüencia, não estava no script, mas gentilmente a casa nos serviu a menina dos olhos da empresa e do enólogo-consultor francês Michel Rolland: o Borobo 2006 ( R$ 276,66 na importadora Mistral ).
O nome é formado pela iniciais de Bordeaux, Rhône e Borgogne, as regiões produtoras de grandes vinhos. É um vinho superlativo,  concentrado, com taninos bem macios. Aromas de especiarias, canela, cereja, frutas vermelhas, é mais frutado do que o Clos Apalta. Particularmente gostei mais do Clos Apalta, que é mais ácido e tânico, o Borobo me pareceu mais enjoativo, pra quem for tomar algumas taças a mais. Com uma comida mais adocicada e aveludada harmonizaria bem melhor. Segundo as palavras do  garçom que nos atendeu, o Clos Apalta é um vinho mais masculino.
Ainda havia a sobremesa, um Blanco y Negro com framboesa. Uma espécie de creme e musse preto e branco, pouco doce, com uma linda apresentação. Com menta e uma calda doce com manjericão super refrescante. Acompanhou o licor da empresa feito na França, o Grand Marnier.
Como se não bastasse, junto com nosso cafézinho vieram bombons com nozes... Minha glicose foi para as nuvens!
O almoço se esticou tarde a dentro, sem pressa, como uma boa refeição deve ser, lenta e demorada. Foi um dos melhores lugares que eu já comi, daqueles especiais.

Esse super almoço custou  60.000 pesos ou uns 220 reais por pessoa, incluindo todos esse vinhos fantásticos. O que você não conseguir tomar, pode levar pra casa. O valor do almoço só com a linha Casa Lapostolle e Cuvée fica em 40.000 pesos ou 148 reais. Vale cada centavo.

O que: Casa Lapostolle (Na estrada entre San Fernando e Santa Cruz pegar a direita no sentido Apalta. Tel 72 953350, e-mail closapaltatours@casalapostolle.cl). Reservar com antecedência. Restaurante fechado entre 15 de junho e 15 de setembro.
Mais informaçãowww.lapostolle.com

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Um dia inesquecível na Casa Lapostolle - Parte I

Nossa primeira visita  de nosso wine tour pelo Valle de Colchagua, no Chile, foi na Casa Lapostolle. A primeira e a mais inesquecível, a melhor de todas, sem dúvida.
Chegamos as 12:30 na vinícola que produz o vinho que foi eleito o melhor do mundo, segundo a Wine Spectator, o Clos Apalta 2005, com 96 pontos! Da parte de baixo do vale, se avista a charmosa vinícola no alto do morro, que tem uma pousada de luxo e restaurante.
A visitação e degustação dura em torno de uma hora a um custo de $ 20.000 (cerca de R$ 74,00) com um vinho de cada linha: Clásico, Cuvée Alexandre e Clos Apalta.
Iniciada a visita, a nossa guia Erika explicou que o projeto teve início em 94, com a associação entre a família francesa Marnier-Lapostolle juntamente com uma família chilena. No ano de 2000, a família francesa, que produz vinhos e o licor Grand Marnier na França, comprou a totalidade do projeto.
De fora, a visão da vinícola, que representa um ninho, é linda e cheia de significados. Um ninho estilizado, com 24 postes de madeira que representam os meses em que o vinho aí permanece antes de surgir para o mundo... 
Foi inaugurada em 2006 e todo o piso é feito com a própria pedra de granito escavada no terreno. Cada detalhe está aí pra impressionar, como as mãos nos quadros, simbolizando os trabalhadores e a bela escada que nos levou até outros níveis pra acompanhar a descida do vinho totalmente por gravidade.
Nessa vinícola são produzidos os vinhos premium, Clos Apalta (60.000 garrafas / ano) e Borobo (3.000 garrafas / ano), esse último a menina dos olhos do aclamado winemaker francês Michel Rolland. Os demais, da linha Cuvée, são vinificados em outra unidade.
Nossa primeira parada foi na sala de fermentação. Ela é toda feita em pipas grandes de carvalho francês, em uma sala nublada por causa do controle rigoroso de umidade. Aqui chegam as uvas, que são desengaçadas manualmente e só por mulheres.
A maceração gira em torno de 7 dias a 8º, sendo que a fermentação dura umas duas semanas, sem adição de leveduras. Fazem ainda uma pós maceração de uma semana. Os vinhos não são filtrados.
A empresa possui em torno de 180 hectares de vinhedos, sendo que os mais antigos tem entre 40 e 80 anos! As variedades são Carmenère, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Syrah e Merlot. As brancas, como a Chardonnay, para o Cuvée Alexandre, são trazidas do Valle de Casablanca, terroir propício para os vinhos brancos. Aqui em Colchagua quem reina é a uva símbolo do Chile, a Carmenère. Detalhe: as uvas são cultivadas de forma orgânica, com total respeito pela natureza e  nossa saúde.
Descemos para o próximo nível, onde os vinhos envelhecem em barricas menores, onde é feita também a fermentação malolática a 22º. A empresa teve até o cuidado de comprar 5 barricas do carvalho mais antigo da França, uma planta de 1650! Foi comprado da Tonnelerie Sylvain e serão usadas no Clos Apalta 2009. Que capricho!
Depois dos primeiros 12 meses, o vinho desce para outro nível, onde permanece por outros 12 meses em barrica, mas agora já com o seu respectivo corte. É nesse andar, em meio as barricas, com uma mesa de degustação central, onde é feita a degustação. Pra nossa surpresa, a mesa central de vidro deixa transparecer uma escada que leva a uma adega com a coleção privada de vinhos da família... É de babar!
Vinhos degustados:
1) Casa Lapostolle Chardonnay 2007 ($ 6.000 ou R$ 22,00): Variedade 100% Chardonnay, proveniente do Valle de Casablanca. 30% do vinho é fermentado e deixado por 8 meses em barricas de carvalho. 
Muita fruta, abacaxi, com uma bela cor. Na boca é cheio, com boa acidez e boa duração. Notas de especiarias. O mesmo vinho no Brasil, safra 2008, importado pela Mistral custa hoje R$ 40,86.
2) Cuvée Alexandre Merlot 2006 ($ 13.000 ou R$ 48,00): 
- Corte: 85% Merlot e 15% de Carmenére. 
É muito intenso no nariz, aroma de flores e herbáceo. Aroma de geléia de frutas, café, cacau e pimenta. Tem um bom corpo e taninos firmes. Pode ganhar ainda com o tempo. Tem um bom custo benefício. Dificilmente conseguiria comprar um vinho desses por esse preço de alguma vinícola do Brasil. O preço de hoje da safra 2006 na importadora Mistral é de R$ 75,00.
3) Clos Apalta 2007 ($ 70.000 ou R$ 260,00): A safra 2005 do mesmo vinho simplesmente foi escolhida a melhor do mundo pela Wine Spectator, com 96 pontos. Mas a safra 2007 teve um clima favorável e promete. 
- Corte: 61% Carmenère, 24% Cabernet Sauvignon, 12% Merlot e 3% Petit Verdot. 
- Graduação: 15%
No nariz é complexo, com aroma de couro, geléia de frutas, flores, tudo muito elegante, nada se sobressai. Na boca ele é persistente, cheio, com taninos macios e com acidez sinalizando uma longa vida. Com a comida cresce muito, como vou contar a seguir. Se vale tudo isso, é relativo. Se é o melhor vinho do mundo, me diga você! A safra 2005 esgotou em todos os lados e hoje no site da Mistral, nenhuma safra se encontrava disponível.

Veja também aqui as fotos do almoço na Lapostolle.


O que: Casa Lapostolle (Na estrada entre San Fernando e Santa Cruz pegar a direita no sentido Apalta. Tel 72 953350, e-mail closapaltatours@casalapostolle.cl.
Serviços: Degustação e visita ($ 20.000 ou R$ 74,00), almoço com Casa Lapostolle e Cuvée Alexandre ($ 40.000 ou R$ 148), almoço com Clos Apalta ($ 60.000 ou R$ 222). Fechado dia 01/01, 25/12, sexta -feira santa e todo o mês de agosto. Horários do tour: 10:30, 12:30 e 15:30. Somente com reserva.
Informação e reservaswww.lapostolle.com


Veja também:
- Chile: um almoço sem igual na Casa Lapostolle
- Chile: visita e degustação na Casa Silva
- Chile: fotos do almoço na Casa Silva
- Chile: winetour na Viña Montes
- Chile: visita a Concha y Toro

domingo, 17 de agosto de 2008

Visita a Concha y Toro

A vinícola Concha y Toro, fundada em 1883 é um gigante andino. Foi fundada pelo empresário e político local Don Melchor de Concha y Toro. A sede da empresa fica há uns 50 Km da capital no Valle del Maipo, na prefectura de Puente Alto. Gigante porque tem ao redor de 7.000 ha de vinhedos próprios e produz algo em torno de 200 milhões de litros de vinhos / ano. Haja brasileiro pra beber tanto vinho! Sim, nosotros somos um dos principais destinos do vinho da terra de Pablo Neruda.

Chegando na propriedade no Valle del Maipo, rodeada por cordilheiras, você vai se encantar com o lugar.

Aí está a casa da família Concha y Toro que foi preservada (hoje funciona um escritório) e um belíssimo jardim. Muitas árvores, flores, pássaros e claro, como diria meu sobrinho, as uveiras (videiras)...

Fiz o passeio onde um guia conduziu o nosso grupo pelos jardins da propriedade e paramos ao ar livre para uma primeira degustação do Casillero del Diablo safra 2007. Aliás o marketing da casa está focado nesse vinho (pelo menos durante a visita), que é um vinho médio, se comparado a outras jóias da empresa.

Após a degustação, fomos passear por entre as barricas de carvalho francês e americano até chegarmos à adega (casillero) subterrânea.

Nesse ponto começa um “show turístico” sobre o casillero del diablo, contada por uma gravação transmitida por caixas de som e com direito a apagar de luzes. Conta a lenda que funcionários da empresa estariam roubando os vinhos da adega. Para acabar com a brincadeira, o fundador da empresa Don Melchor, inventou uma história pra meter medo em seus funcionários: ele estaria deixando o capeta dormir em sua adega em troca de que o coisa ruim cuidasse de seus preciosos vinhos. A pilhagem terminou mas permaneceu a lenda da “Adega do Diabo”.

Na seqüência degustamos a ótima linha Marques de Casa Concha (Merlot, Cabernet Sauvignon e Carmenère). Muito bons vinhos orquestrados pelo enólogo chileno Marcelo Papa.

No final do passeio há um bar onde você pode degustar (terá de pagar por isso) toda a linha de produtos da empresa. Foi aqui que inundei os meus sentidos com um Don Melchor safra 1996. Fantástico, com aromas e gosto profundos e complexos. O safra 2005 obteve fantásticos 96 pontos da Wine Spectator e 94 pontos de Mr. Robert Parker.

Se o seu orçamento permitir, prove o vinho Alma Viva, uma joint venture Chile/França com a empresa Baron Philippe Rothschild. Também agraciado com 95 pontos de Robert Parker para a safra 2005.

O quê: Vinícola Concha y Toro
Onde: Santiago (Puente Alto), 50 Km do centro da capital (aproximadamente 1 hora e 20 minutos).
Visitações: tour guiado. Todos os dias das 10:00 as 17:00 hs (exceto feriados). Deve-se reservar com antecedência.
Tempo estimado: 90 minutos.
Valor: $ 6.000,00 pesos chilenos (aproximadamente US$ 14,00)
Reservas: Tel (56-2) 4765000, ou pelo e-mail: reserva@conchaytoro.cl

Para maiores informações:

- Vinícola Concha y Toro: http://www.conchaytoro.cl/
- Vinícola Alma Viva: http://www.almavivawinery.com/

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