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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O Le Fournil em Santiago do Chile


No primeiro dia no Chile, eu e a Fê fomos pro Patio Bellavista, uma "praça" aberta, cheia de restaurantes bacanas em Santiago. Depois de percorrer a cidade, lá pelo meio da tarde almoçamos aí, no Le Fournil. O lugar é uma boulangerie, que fornece pães pra outros restaurantes, mas tem um bistrô que serve uma comida no capricho.

Pra começar, um chope da Calafate ($ 2.190 ou R$ 8,00) de 500 ml. Bom, mas adocicado, com gosto de mel.

Pra formar a dupla, uma outra boa cerveja chilena, Austral Pale Ale ($ 1.600 ou R$ 6,00). De cor âmbar, bem equilibrada, gostosa.

O couvert veio com os ótimos pães da boulangerie, quentinho, com uma casquinha crocante... Nada a ver com nossos pães aqui. A farinha de trigo no Chile tem muito mais qualidade. Nessa viagem de 10 dias, não parei de comer pão, de tão bom que era!

De entrada pedimos um Rillette fresca de 2 salmones ($ 3.900 ou R$ 14,00). Os dois salmões são o defumado e o conservado em sal, temperados com erva-doce. Acompanhado de caviar de salmão e molho azedo. Vem com um pãozinho preto com lingüiça levemente tostado que é de babar.

A Fê pediu um Atum fresco salteado com tapenade de azeitonas pretas e lasanha de berinjela ($ 6.800 ou R$ 25,00). O atúm fresco é da Ilha de Páscoa, que é bem apreciado aqui. Muito bom, rosadinho no meio, combinou bem com as azeitonas. A lasanha tem camadas de um purê de tomate levemente adocicado, ficou ótimo.

Mas o melhor dos dois pratos na minha opinião foi o meu, que por sinal é a especialidade da casa: Entrecote francês e gratin de batata com manteiga ($ 6.800 ou R$ 25,00). É de chorar de tão bom! A carne é macia, suculenta e saborosa, quer mais? Sim, por cima vem uma manteiguinha com estragão que dá um toque simples mas sensacional. O gratin de batatas então: são laminas finas de batata intercaladas com creme de leite e um toque de alho, levado ao forno pra dourar...

Pra fechar a refeição uma Torta Chateaubriand com sorvete de amêndoas e castanha ($ 3.700 ou R$ 14,00). O sorvete é bem leve e refrescante. A torta tem uma massa de merengue com creme no meio e se sente o amarguinho das amêndoas, aprovadíssima. A casquinha, que é uma coadjuvante, além de bonita é boa.

O Le Fournil tem ainda outros endereços em Santiago, mas esse no Patio  Bellavista tem um clima especial. Não perca.

O que: Le Fournil (Constitución, 30, local 102 Patio Bellavista Providencia, Santiago, Chile. Tel 248 9699, e-mail patiobellavista@lefournil.cl.)
Mais informaçãowww.lefournil.cl

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Cozinha afrodisíaca em Santiago

A dica do Papos de Gourmet para quem for para Santiago é o restaurante Como água para Chocolate, “Cocina Mágica”.
Inspirado no filme mexicano de mesmo nome, o encantador restaurante se propõe a oferecer uma cozinha afrodisíaca e mágica. Não sei se é afrodisíaca de fato, mas a verdade é que fiquei encantado com a bela garçonete que serviu a nossa mesa. Será que foi a comida ou fui eu que me passei na dose de pisco??

Afrodisíaca ou não eu diria que a comida é no mínimo muy sexy. Cebiches servidos na concha com abacate, champignons refogados com tempero verde servidos em combuquinhas... no mínimo levantaram o meu ânimo...

Como prato principal comi Congrio Almendrado al Gratén, congrio grelhado com creme de espinafre e molho de amêndoas... uma bela pedida, um ótimo creme de espinafre que junto com o peixe ficou leve... e claro, sensual!

Para o gran finale, a sobremesa, feita de massa de biscoito bem molhadinha, merengue e corações de geléia de framboesa... seriam corações afrodisíacos?

O ambiente do restaurante é um show a parte. Aconchegante, com penduricalhos nas paredes, um belo mezanino e uma cama de ferro que é na verdade uma mesa.
Bom pra ir sozinho, melhor para ir a dois. Confesso que do meu programa a lá turistão em Santiago, esse foi sem dúvida o melhor restaurante. Sem dúvida afrodisíaco e com uma dose de magia.
O quê: Restaurante Como Água para Chocolate “Cocina Mágica”.

Onde: Santiago, Chile. Avenida Constitución 88. Reservas até 21:15

Telefone: 777 87 40 / 735 45 11

Maiores informações: www.comoaguaparachocolate.cl

Veja também:

domingo, 17 de agosto de 2008

Visita a Concha y Toro

A vinícola Concha y Toro, fundada em 1883 é um gigante andino. Foi fundada pelo empresário e político local Don Melchor de Concha y Toro. A sede da empresa fica há uns 50 Km da capital no Valle del Maipo, na prefectura de Puente Alto. Gigante porque tem ao redor de 7.000 ha de vinhedos próprios e produz algo em torno de 200 milhões de litros de vinhos / ano. Haja brasileiro pra beber tanto vinho! Sim, nosotros somos um dos principais destinos do vinho da terra de Pablo Neruda.

Chegando na propriedade no Valle del Maipo, rodeada por cordilheiras, você vai se encantar com o lugar.

Aí está a casa da família Concha y Toro que foi preservada (hoje funciona um escritório) e um belíssimo jardim. Muitas árvores, flores, pássaros e claro, como diria meu sobrinho, as uveiras (videiras)...

Fiz o passeio onde um guia conduziu o nosso grupo pelos jardins da propriedade e paramos ao ar livre para uma primeira degustação do Casillero del Diablo safra 2007. Aliás o marketing da casa está focado nesse vinho (pelo menos durante a visita), que é um vinho médio, se comparado a outras jóias da empresa.

Após a degustação, fomos passear por entre as barricas de carvalho francês e americano até chegarmos à adega (casillero) subterrânea.

Nesse ponto começa um “show turístico” sobre o casillero del diablo, contada por uma gravação transmitida por caixas de som e com direito a apagar de luzes. Conta a lenda que funcionários da empresa estariam roubando os vinhos da adega. Para acabar com a brincadeira, o fundador da empresa Don Melchor, inventou uma história pra meter medo em seus funcionários: ele estaria deixando o capeta dormir em sua adega em troca de que o coisa ruim cuidasse de seus preciosos vinhos. A pilhagem terminou mas permaneceu a lenda da “Adega do Diabo”.

Na seqüência degustamos a ótima linha Marques de Casa Concha (Merlot, Cabernet Sauvignon e Carmenère). Muito bons vinhos orquestrados pelo enólogo chileno Marcelo Papa.

No final do passeio há um bar onde você pode degustar (terá de pagar por isso) toda a linha de produtos da empresa. Foi aqui que inundei os meus sentidos com um Don Melchor safra 1996. Fantástico, com aromas e gosto profundos e complexos. O safra 2005 obteve fantásticos 96 pontos da Wine Spectator e 94 pontos de Mr. Robert Parker.

Se o seu orçamento permitir, prove o vinho Alma Viva, uma joint venture Chile/França com a empresa Baron Philippe Rothschild. Também agraciado com 95 pontos de Robert Parker para a safra 2005.

O quê: Vinícola Concha y Toro
Onde: Santiago (Puente Alto), 50 Km do centro da capital (aproximadamente 1 hora e 20 minutos).
Visitações: tour guiado. Todos os dias das 10:00 as 17:00 hs (exceto feriados). Deve-se reservar com antecedência.
Tempo estimado: 90 minutos.
Valor: $ 6.000,00 pesos chilenos (aproximadamente US$ 14,00)
Reservas: Tel (56-2) 4765000, ou pelo e-mail: reserva@conchaytoro.cl

Para maiores informações:

- Vinícola Concha y Toro: http://www.conchaytoro.cl/
- Vinícola Alma Viva: http://www.almavivawinery.com/

Veja também:

O que os chilenos comem

Se você for pra Santiago, faça uma visita ao Mercado Central. Nesse local, de construção de ferro fundido do final do século 19, você verá as cores locais, os pescados, as frutas, as espécies... Sempre que estou em algum lugar novo eu procuro visitar os mercados públicos e até mesmo os supermercados. É aí que mora a essência da cultura gastronômica local. Isso desperta o meu lado curioso.

Ainda no mercado, almocei no restaurante Donde Augusto, especializado em pescados. A comida é simples, bem preparada, mas nada de extraordinário.

São servidos cebiche (peixe desfiado, temperado com coentro), salmão grelhado ao molho de mariscos, machas parmesanas (mariscos gratinados) e vinho, muito vinho. A trilha sonora ficou por conta de violeiros cantando em dueto, com trajes típicos andinos. Mas o bom mesmo é o entorno e o passeio no antigo mercado. Comece a descobrir a cidade conhecendo os produtos típicos chilenos.

Veja também:

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Santiago de Chile

No mês de Agosto estive visitando a capital chilena e, claro, aproveitei para saciar a minha “fome gourmet”. Fome pelo o que é diferente, pela cultura local. Apesar de estar com um grupo em uma viagem turística-demais-pro-meu-gosto, pude aproveitar bem as minhas jornadas gastronômicas.

Falar em Chile nos remete imediatamente ao vinho. E, não demora muito pra perceber que são os tintos reinam nas mesas locais. É a marca do país, sendo a Carmenère a uva com a identidade local. Por outro lado, a Cabernet Sauvignon é a casta internacional que nessas terras pouco chuvosas adquire corpo, aromas e estrutura que fazem inveja a muitos terroirs.

A culinária é um capítulo a parte. Imagine você, sentado de forma muito aconchegante em um restaurante de Santiago. Lá fora aquele frio e o belo visual da cordilheiras, todas branquinhas. Você já pediu ao garçom o seu vinhozinho ou o seu pisco sauer, pra ajudar a esquentar o corpo. Agora tudo o que te falta é uma refeição bem calórica, correto?? Errado! Você se esqueceu de outra marca local, o onipresente salmão. Os pescados e os frutos do mar abundam em todos os cardápios locais. Não repõem as nossas calorias no rigoroso frio andino, mas como resistir? O produto está aí, é preparado fresquinho, pedindo pra ser consumido. Cebiches temperados com coentro e limão, salmão a la plancha e mariscos... refeições levíssimas, aromáticas, uma maravilha. Tudo isso harmonizaria muito bem com um espumante, vinhos brancos e tintos pouco tânicos. Porém, uma vez no Chile, não há como resistir aos encantos dos seus tintos encorpados...

Vá a Santiago, beba muito vinho e se delicie com os seus pescados. Suas coronárias agradecem... Salud!

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