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sábado, 14 de fevereiro de 2009

Bodegas Norton

Papos de Gourmet especial em Mendoza
O nome “gringo” dessa vinícola mendozina tem um motivo: foi fundada por um engenheiro inglês chamado Edmund J.P Norton. Ele chegou na Argentina para construir a estrada de ferro que passaria na Finca Perdriel. Norton apaixona-se pela filha do proprietário da finca e nas terras do sogro planta as primeiras mudas trazidas da França. Tudo isso lá pelo ano de 1895, provando desde aquela época o vinho e as paixões movem montanhas!

Em 1989 a vinícola foi comprada pelo grupo austríaco Swarovski (sim meninas, o mesmo dos famosos cristais). O empresário Gernot Swarovski se apaixona por Mendoza e decide comprar o empreendimento. Hoje o negócio é administrado por seu filho Michael Halstrick, que investiu pesado em modernização.
A empresa produz um grande volume (17 milhões de litros) e exporta aproximadamente 50% do que produz.
A vinícola fica em Luján de Cuyo, o berço da uva Malbec na Argentina. Em nossa visita (com um animado grupo) passamos por todo processo produtivo e o que mais chamou a atenção foram os contrastem do antigo com o moderno: ainda permanecem no local as antigas “piletas” ou reservatórios quadrados de vinhos, que segundo a empresa não são mais utilizados.

A cave subterrânea da empresa é muito bonita. Um labirinto que tem função de afinar o vinho da empresa e de servir de museu de antigas garrafas, com safras desde o ano de 1932.

A empresa utiliza 80% de barricas européias para o envelhecimento dos vinhos. Encontramos ainda algumas barricas de carvalho chinês (o grupo possui uma unidade lá) que estão sendo utilizadas em testes.
Vinhedos:
Os vinhedos são controlados pelo sistema de “mapping”, ou seja, as propriedades são divididas em pequenas parcelas trabalhadas de forma específica e individual.
As 5 fincas ou propriedades da empresa possuem uma área de mais de 1.200 hectares de área e cultivam hoje algo em torno 680 hectares de parreirais. Todo processo é controlado pelo engenheiro agrônomo Pablo Minatelli.
Vinhos:
Destinados ao mercado externo:
- Privada: No Brasil se chama “Privado” por razões óbvias. Originalmente destinado somente a família Swarovski. É um corte das uvas Merlot, Cabernet Sauvignon e Merlot. Envelhecido por 16 meses em barricas novas de carvalho francês. Passa 12 meses afinando na garrafa.
- Gernot Langes: é uma seleção das melhores uvas dos vinhedos mais antigos, e só se engarrafam as barricas que tiveram uma evolução excepcional. Mais de 16 meses de envelhecimento em barricas novas de carvalho francês. Afinamento na garrafa por mais de 12 meses.
- Reserva (nas uvas Cabernet Sauvigon, Malbec, Syrah e Merlot): uvas provenientes de vinhedos com mais de 30 anos. Barricas de carvalho francês de 1º e 2º uso. Afinamento na garrafa por 10 meses.
- Barrel select (nas uvas Cabernet Sauvigon, Malbec, Syrah, Merlot, Chardonnay e Sauvignon Blanc): 50% do vinho é envelhecido em barricas de carvalho francês de 1º e 2º uso por até 12 meses. Afinado por 6 meses na garrafa.
- Varietais jovens: sem uso de carvalho. Além das uvas já citadas, também nas versões Tempranillo, Barbera, Bonarda, Torrontes, Merlot Rose e Sangiovese.
Destinados ao mercado argentino e também ao Brasil:
Não tenho absoluta certeza se todos estão em venda no Brasil. A lista é extensa, já que a produção da vinícola é mesmo volumosa: Quorum (seleção de diversas colheitas), Malbec DOC (vinhedos provenientes de Luján de Cuyo), Roble, Bivarietales (corte com duas uvas), Clasico (corte de diferentes uvas), Cosecha tardia (Chardonnay), Mil Rosas, Espumante Norton (extra-brut e demi-sec), Espumante Norton Cosecha Especial (extra-brut e brut nature).
Pontuações:
As notas máximas alcançadas foram:
- Vinho Norton Privada 2002 e 2003: 91 pontos Wine Spectator
- Norton Reserva Malbec 2002: 90 pontos WS
Vinhos degustados:

Fomos recebidos no final da degustação com um espumante demi-sec, um pouco estranho pra começar uma degustação seguida por vinhos secos.
Logo após, degustamos um Norton Chardonnay Roble 2007, fermentado em barricas de carvalho. O Norton Reserva Cabernet Sauvigon 2005 apresenta bons aromas, intensos, um bom volume de boca e taninos suaves. Já o Norton Reserva Malbec 2005 não tem aromas tão intensos, porém na boca é bem aveludado.
O quê: Bodegas Norton (Ruta Provincial 15, km 23.5, Luján de Cuyo, Mendoza)
Serviços: visitas guiadas (inglês – espanhol) e degustação; almoço e piquenique nos jardins;
Visitas: Reservar com antecedência. Tel. 54 261 490 9700. - int 4. E-mail: turismo@norton.com.ar ou programas@norton.com.ar
Onde comprar: www.expand.com.br
Maiores informações: www.norton.com.ar
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Vinícola Nieto Senetiner

Papos de Gourmet Especial em Mendoza
Essa vinícola mendozina foi fundada no ano de 1888 por imigrantes italianos e está localiza na privilegiada região de Luján de Cuyo. Pertenceu a diferentes famílias, até que a família Nieto Senetiner a comprou no ano de 1969. Em 1998 a empresa foi adquirida pelo Perez Companc Family Group.

O estilo antigo da vinícola, as árvores e a abundante natureza fazem dela um belo lugar pra uma visitação. Logo na chegada nos deparamos com vários pés de oliveiras antigas.

A produção é de 1.500.000 de litros porém segundo a empresa, o rendimento por hectare é baixo, na faixa de 5 a 12 ton / ha. A Nieto Senetiner possui 300 hectares de vinhedos próprios em Lujan de Cuyo (Agrelo, Vistalba), e Tupungato. Mas também compram uva de outros produtores. Não chegamos a conhecer a estrutura da vinícola, pois estávamos atrasados e passamos direto a degustação.
Linhas de vinho:
- Cadus (Malbec, Cabernet Sauvigon e Syrah): single vineyard, origem Agrelo, Lujan de Cuyo. Vinhedos de 1918. Passagem de 24 meses por barricas de carvalho francês de primeiro uso e 12 meses de afinamento na garrafa.
- Bonarda 2002: vinhas de 1973 e 1050 metros de altitude.
- Don Nicanor (Cabernet Sauvigon, Malbec, Merlot, Blend, Tardio e Syrah): vinhedos de 40 a 45 anos de Agrelo e Vistalba. Produção de 6 ton / hectar.
- Nieto Senetiner (Cabernet Sauvigon, Malbec, Syrah, Merlot, Malbec DOC e Chardonnay): vinhedos de 30 anos.
- Benjamin Nieto (Cabernet Sauvigon, Malbec, Chardonnay, Tempranillo e Syrah)
- Espumantes (charmat longo): extra brut e brut nature
Vinhos degustados:

1) Benjamin Nieto 2008: o vinho não é filtrado e não possui passagem por carvalho. Cor púrpura, jovem, frutado e médio corpo. Percebe-se o álcool.
2) Nieto Senetiner Malbec 2006: 12 meses de carvalho de 3º uso. Bom corpo, denso na taça. Aromas de frutas maduras, cereja preta. A colheita é feita de fevereiro a abril.
3) Don Nicanor Malbec 2005: vinhedos (de 1916) com produção de 7 ton/ha. Passagem por 18 meses em barricas de segundo uso. Aromas de marmelada e ameixa, bom corpo.
4) Cadus Malbec 2004: feito igualmente com uvas de vinhedos de 1916. 2 anos de passagem por barricas novas e 2 anos de afinamento na garrafa. Graduação de 15º. Vinho concentrado, vermelho rubi.
Depois da degustação, fomos recebidos para o almoço em um lugar bem agradável. A refeição oferecida na Nieto é típica argentina: empanadas, saladas, chorizo, morcilha doce e carne maravilhosamente bem assada. Aliás uma ótima harmonização ficou por conta da morcilha doce com o vinho Malbec, que vale tanto pela t
extura e doçura quanto pela afinidade regional. Claro, mas só pra que não se importar de comer a típica salsicha argentina com cor de sangue! A propósito, eu não me importo nem um pouco, acho uma delícia.

Na hora do café fomos para uma varanda ao lado fazer digestão enquanto olhávamos as belas videiras antigas da propriedade. Nada mais merecido depois de umas boas garfadas...
O quê: Bodegas Nieto Senetiner (Guardia Vieja S/N – Vistalba – Luján de Cuyo, Mendoza, Argentina). Tel (0261) 4980315 / 4984027. E-mail: turismo@nietosenetiner.com.ar
Serviços: Degustação, almoço e cursos de degustação. Agendar previamente.
Maiores informações: www.nietosenetiner.com
Onde comprar: Casa Flora www.casaflora.com.br
Veja também:

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A imponente Bodega Catena Zapata

Papos de Gourmet Especial em Mendoza

Mais uma vinícola argentina no melhor estilo arquitetura + tecnologia a serviço do vinho. Construída no ano de 2001, a imponente pirâmide Maia... Uêpa! Mas o que faz uma pirâmide Maia na Argentina? esse povo não é nativo do México?


Bem, você pode dizer, ok César, mas quem se importa? Ora, tem todo aquele papo do resgate histórico, das raízes, que eu acho importante e nesse caso fica um pouco distorcido. É como se estivéssemos em Las Vegas ou na Disney... Bom, quero aqui apenas expressar meu contraponto porque, apesar disso, a construção é belíssima, a sua imponência... quando você sobe até o último andar (pelas lindas escadas) da pirâmide e vê os parreirais e a cordilheira, my friend, você esquece tudo isso. Dá uma olhada e me diga se estou errado:


A obra foi inspirada nas pirâmides Maias de Tikal. No interior, uma bela escada avança sobre uma abertura redonda pra alcançar o terraço na parte superior.

Essa unidade da Catena, com capacidade para a produção de 2.500.000 litros, utiliza conceitos de vinificação e equipamentos de ponta: experiências com microvinificação e uvas não prensadas (descendo por gravidade), só para citar alguns exemplos.
A sala de barricas é linda (chamada por eles de anfiteatro), com uma sala de degustações envidraçada ao centro.
Nessa sala encontram-se barricas de carvalho francês (80%) e americano (20%). Também, há uma sala de projeção onde nos mostratam um vídeo sobre a empresa.

Linha de vinhos:

A empresa divide os seus vinhos em vinhos pra exportação e vinhos pra Argentina. O Brasil recebe as duas linhas:

Vinhos exportação:

- Linha Catena Zapata (Nicolas Catena Zapata, Catena Zapata Malbec Argentino, Catena Zapata Adrianna Vineyard e Catena Zapata Nicasia Vineyard)
- Catena Alta (Malbec, Cabernet Sauvigon e Chardonnay)
- Catena (Malbec, Cabernet Sauvignon e Chardonnay)
- Alamos (Malbec, Chardonnay, Pinot Noir, Syrah, Viognier, Seleccion Pinot Noir, Cabernet Sauvignon, Bonarda, Sauvingon Blanc, Merlot, Torrontes, e Seleccion Malbec).

Vinhos Argentina:

- Catena Zapata Estiba Reservada (Cabernet Sauvingon)
- Catena Zapata Malbec Argentino
- Angélica Zapata
- D.V Catena (Malbec, Syrah, Cabernet Sauvigon e Cabernet / Malbec)
- Saint Felicien (Cabernet Sauvigon, Cabernet / Merlot, Chardonnay, Malbec, Syrah, Semillon Doux, Sauvignon Blanc e Espumante Nature)
- Alamos de Mendoza (Malbec, Chardonnay, Pinot Noir, Syrah, Malbec Maceracion Atenuada, Reserve Tempranillo, Cabernet Sauvigon, Bonard, Sauvigon Blanc, Merlot, Reserve Merlot, Espumante extra-brut).


Pontuações:

Os vinhos da Catena receberam boas avaliações da crítica especializada, com alguns destaques:

- Catena Malbec 2006: 91 pontos (Rober Parker). Ótima pontuação para um vinho com um preço bem acessível!
- Catena Malbec 2005: 90 pontos (Wine Spectator)
- Nicolas Catena Zapata 2001: 94 pontos (Parker)
- Catena Alta Malbec 2003: 94 pontos (WS)

Esses são apenas alguns exemplos. Acredito que as pontuações de vinho jamais devam substituir nossas próprias percepções e gostos. Mas elas, sem dúvida nenhuma, dão credibilidade ao enófilo e recompensam o esforço do produtor.

Vinhos degustados:


Dos vinhos degustados (Chardonnay 2005, Cabernet Sauvignon Catena Alta 2004 e Malbec 2005) o que mais me chamou a atenção foi o Chardonnay 2005: fermentado em barricas de carvalho e proveniente do vinhedo Adrianna a 1.500 m de altitude. É o único single vineyard da empresa. Notas de baunilha, cítricas, potente, enche e refresca a boca. Aromas cítricos, abacaxi amêndoa torrada... é desses vinhos pra ficar na memória!

O ponto negativo da nosso degustação é que nos colocaram em um lugar inapropriado pra qualquer amante do vinho, ainda mais levando em consideração a estrutura da empresa: um espaço na recepção da vinícola, sentados em sofás.

Vale a pena a visita pela bela vinícola e de grande história e tradição de vinhos na Argentina, porém não espere a exclusividade e a atenção de uma vinícola menor.

O quê: Bodega Catena Zapata (J. Cobos s/n Agrelo, Luján de Cuyo, Mendoza, Argentina)
Onde: J. Cobos s/n, Agrelo, Luján de Cuyo, Mendoza, Argentina
Serviços: Visitação e degustação
Visitas: pré agendar pelo tel 54 261 413 1100 ou no site http://www.catenawines.com/es/contact.html
Onde comprar: Mistral Importadora. http://www.mistral.com.br/

domingo, 11 de janeiro de 2009

Bodegas Salentein


Papos de gourmet especial em Mendoza

Essa imponente bodega argentina de capital holandês alia arquitetura e vinhos modernos. Ao chegar em Killka (como é chamado o lugar), o visual é de cair o queixo: paisagem desértica, a cordilheira e os seus vinhedos...




Logo na entrada, um espelho d´água e esculturas dão um ar cool ao lugar. Descobri que o projeto do complexo foi idealizado levando em consideração 2 aspectos: a forma e a função. A forma de cruz reduz o tempo de percurso da uva e do vinho dentro da vinícola. Cada ala consiste em uma pequena bodega de 2 níveis de altura. No primeiro nível, tanques de aço inoxidável e barricas de carvalho francês possibilitam a fermentação e o armazenamento. Já no nível subterrâneo, o vinho é envelhecido nas barricas, descendo por gravidade.



O mais interessante é que a junção das 4 alas convergem para uma câmara central e circular, similar a um anfiteatro. Aí encontramos várias barricas dispostas igualmente de forma circular, em torno a uma rosa dos ventos que pode ser vista também desde a parte superior... fantástico! Para a empresa, a rosa dos ventos representa a sua relação com o restante do mundo. Já as pedras utilizadas no piso são da mesma região onde a vinícola está localizada., dando a idéia de “pés na nossa terra e olhos no mundo”. Tudo muito elegante e cheio de sentidos, como os bons vinhos devem ser!

Em nossa visita, fizemos um recorrido por uma impressionante estrutura com tecnologia de ponta.

Vinhos:
São produzidos aproximadamente 1.000.000 de litros por ano, sendo que 50% da produção é exportada principalmente para o Brasil e EUA. Os enólogos responsáveis são Laureano Gomez e Carlos Baccaro. Os vinhos não são filtrados.

Salentein: varietais provenientes das 3 propriedades da empresa, com diversas altitudes. Tem passagem de 7 a 14 meses por barricas de carvalho francês.

Numina: é o vinho de corte da empresa que estagia por 16 meses em barricas francesas.

Primus: edição especial que se elabora somente em safras excepcionais. Envelhece por 19 meses em barricas novas de carvalho francês.

Los Leones: é o vinho símbolo da empresa. Não foi degustado por nosso grupo.

A hora da verdade:

Depois do agradável passeio pela vinícola, fomos recebidos em uma grande e bonita mesa de pedra para a degustação dos vinhos. Não posso reclamar da recepção, em um lugar extremamente acolhedor, cheio de queijos e frutas secas durante a degustação.


Primus Pinot Noit 2004: achei o vinho um pouco alcoólico demais e sem a sutileza do pinot noir. Aroma de frutas vermelhas, geléia de frutas e especiarias.

Provei ainda o Primus Malbec 2004 e o Primus Merlot 2003: para mim foi o melhor do trio. De cor vermelho rubi, complexo no nariz e pronto para beber. Taninos macios e compota de frutas.

Almoço:
Depois da degustação, seguimos para o almoço em um belo salão envidraçado, com vista para a bela cordilheira. No almoço foram servidos um medalhão de carne com crosta de gergelim e purê com açafrão, além de uma salada perfeitamente harmônica. Vale a pena almoçar por lá.






O quê: Bodegas Salentein

Onde: Ruta 89 s/n, Los Arboles, Tunuyan – Mendoza, Argentina.

Serviços: visitação e degustação/ almoço / pousada

Visitas: pré agendar. Tel 54 02622 429 500. E-mail reservas@killkasalentein.com

Onde comprar: http://www.zahil.com.br/

Maiores informações: http://www.bodegasalentein.com/

sábado, 13 de dezembro de 2008

Ruca Malen


Papos de Gourmet Especial em Mendoza

Se você não é daqueles que cospe o vinho depois da degustação, provavelmente não vai agüentar visitar 3 vinícolas no mesmo dia... Por isso, visite duas no máximo, conselho de amigo!

Foi justamente essa vinícola, Rucan Malen, com belos vinhos a terceira visita do dia. Uma injustiça... Depois de visitar a Terrazas e a Cheval des Andes, confesso que tive que fazer um esforço (pequeno, é verdade), mas valeu a pena! Apesar de que, cá entre nós, esse é um esforço que eu gostaria de fazer sempre!



Bem, onde estávamos mesmo? Ah, lembrei! A empresa, situada em Lujan de Cuyo, pertence a um ex diretor da Chandon (Jean Pierre Thibaud), que batizou a vinícola com um nome indígena. Ruca Malen significa, “a casa da jovem”. Segundo a lenda, as índias Mapuches caminhavam sem levantar os olhos por medo de enfrentar o olhar de um jovem deus. Um belo dia, uma delas que era mais audaz, porém temerosa, olhou para ele. Ela então ficou perdidamente apaixonada por ele. O deus, comovido, a levou consigo até o norte do país, para uma montanha que alcançava o céu da onde a luz brotava, o Aconcágua. Ele tinha que partir mas lhe ofereceu um lar, Ruca Malén, que na linguagem indígena significa a “casa da jovem”. Ofereceu também um néctar que ela poderia beber e recordar novamente toda a alegria de seu olhar. Bela história hein?
No passeio pela empresa, fomos recebidos pelo enólogo Juan Salvador, que nos contou que a produção da empresa se limita a 600.000 garrafas por ano. O projeto da jovem vinícola foi concebido em 1999 e em 2003 foi construída a planta industrial. As uvas de todos os vinhos são provenientes da região de Luján de Cuyo.



Linha de vinhos:
Yauquén: na linguagem indígena significa o ritual de compartilhar.

- Malbec / Cabernet Sauvignon: 50% Malbec, 50% Cabernet Sauvignon. Estagia por 7 meses em barricas de carvalho.
- Chardonnay / Semillón

Ruca Malén:

- Malbec: 87% Malbec, 9% Cabernet Sauvignon, 4% Tempranillo. 12 meses em barricas de carvalho (80% francês e 20% americano). 12 meses de afinamento na garrafa;
- Cabernet Sauvignon: 100% Cabernet Sauvignon. 12 meses em barricas de carvalho (80% francês e 20% americano). 12 meses de afinamento na garrafa.
- Merlot: 87% Merlot, 13% Tempranillo. 12 meses em barricas de carvalho (80% francês e 20% americano). 12 meses de afinamento na garrafa.

Kinién: é a linha top da empresa

-Malbec: 86% de Malbec, 10% Cabernet Sauvignon, 4% Merlot. 14 meses em barricas de carvalho francês de primeiro uso. 14 meses de afinamento na garrafa.

- Kinién Don Raul
(Don Raúl de La Mota foi eleito como o melhor enólogo do século XX na Argentina pela Associação Mundial de jornalistas de escritores de vinhos e licores, com sede em Bordeaux)
Produção limitada a 2.200 garrafas. 78% Malbec, 11% Merlot, 11% Tempranillo. 14 meses em barricas de carvalho francesas de primeiro uso. 12 meses de afinamento na garrafa.

- Cabernet Sauvignon: 90% Cabernet Sauvignon, 10% Malbec. 14 meses em barricas de carvalho francês de primeiro uso. 14 meses de afinamento na garrafa.




Minha dica de vinho da Ruca Malén:

- Kinién Malbec 2004: Kinién significa “o único”.É um vinho muito especial, com aromas de ameixa, concentrado e persistente. Para mim o melhor dos vinhos degustados nesse dia!

O quê: Bodega Ruca Malén
Onde: Ruta Nacional 7 Km 1059, Agrelo, Mendoza.
Horários e serviços: É preciso reservar com antecedência a visita e o almoço.
Visitação: de segunda a sexta 10:00 hs e 15:00 hs (em inglês); 11:00 hs e 16:00 hs (em espanhol).
Almoço: elaborado pelo chef da empresa, um almoço de autor, com 5 pratos, na própria vinícola.
Contato: Tel (+54 261) 410 6214. E-mail: mendoza@bodegarucamalen.com.
Mais informação: www.bodegarucamalen.com/

domingo, 2 de novembro de 2008

Cheval des Andes, uma tarde inesquecível


Papos de Gourmet especial em Mendoza

A empresa Cheval des Andes é uma joint venture entre a vinícola francesa de Saint Emilion, Cheval Blanc, e a argentina Terrazas de los Andes. Ela surgiu por idéia do diretor da vinícola francesa Pierre Lurton, que queria buscar um terroir especial fora da França para aplicar seus profundos conhecimentos de blending.

Lurton foi cativado pela idéia de desenterrar uma antiga conexão com o passado de Saint Emilion: a Malbec, variedade típica dessa zona que nos anos 60 foi dizimada pela filoxera, encontrou em solos argentinos a sua expressão máxima.
O reencontro da Cheval Blanc com o seu passado se deu quando Lurton visitou em 1999 um parreiral com 76 anos de idade, sem enxerto, localizado em Vistalba, Mendoza.

Papos de Gourmet esteve em Mendoza visitando o loft do vinho. A propriedade rural (ou finca) da empresa é um lugar verdadeiramente encantador, em meio a vinhedos e oliveiras.

Uma vez mais a cordilheira dos Andes ao fundo parece sempre querer marcar presença e lembrar que você está em Mendoza. Na frente do loft, um campo de Pólo très chic. Fomos recebidos no lugar pelo gerente de exportação da empresa, Andrés Belinski. Belinski explicou que o lugar está destinado também para a futura construção de uma vinícola, já que hoje suas uvas são vinificadas na Terrazas de los Andes.

Vinhos degustados:


Os vinhos da Cheval são produzidos, segundo a vinícola, somente em safras excepcionais. O envelhecimento é feito em barricas de carvalho francês Taransaud por 18 meses. O potencial de guarda do vinho, segundo a empresa, é de até 20 anos.




Bem, a conversa tá boa, mas vamos aos vinhos...

Cheval des Andes safra 2002: tem maior porcentagem de cabernet sauvignon (56%), cortado com malbec e petit verdot. O vinho mostrou-se encorpado, volumoso e com toques de geléia e madeira. Sem dúvida um ótimo vinho, mas para o meu gosto pessoal o melhor ainda estava por vir...


Cheval des Andes safra 2004: Nessa safra o blend possui uma maior parcela de Malbec (55%). Esse vinho se mostrou imponente, sedutor, equilibrado e com aroma e retro gosto persistente. É complexo, aveludado, com um excelente corpo. Possui todos os requisitos de um grande vinho. Pra mim, o melhor da tarde!

E para acompanhar esses grandes vinhos fomos “mimados” com empanadas típicas argentinas, queijos diversos, pollo a moda gaucha e belas carnes assadas na parrilla. Harmonização regional perfeita.

Uma tarde pra ficar naquelas nossas memórias boas, tanto pelo vinho, quanto pela comida e pelo lugar. Como diria Nat King Cole, unforgettable...


Informações para visitas: Mande e-mail para Terrazas de los Andes, visitor@terrazasdelosandes.com.ar

sábado, 25 de outubro de 2008

Stairways to heaven: Terrazas de los Andes

Papos de Gourmet especial em Mendoza

Escadas para o céu. Assim são os vinhedos da bela vinícola argentina, Terrazas de los Andes. Está localizada em um lugar agradável, no coração de Perdriel, Mendoza. Têm acesso por estradas rodeadas por álamos e a Cordilheira dos Andes como belo pano de fundo.

A filosofia da Terrazas de los Andes, pertencente ao grupo LVMH, está baseada nos vinhedos com diferentes altitudes ou patamares para cada tipo de uva. Daí a origem do nome “terraza”.

No final da década de 50, a Möet & Chandon enviou para a América do Sul o seu diretor de enologia, Renaud Poirier, para investigar o potencial da zona para a elaboração de vinhos de qualidade internacional. Ele ficou muito impressionado com a região de Luján de Cuyo e pelos vinhedos de altitude. Então ele, juntamente com a empresa Chandon, decidiram investir no que seriam os primeiros vinhedos da empresa fora da França.


De acordo com as suas pesquisas sobre a influência da altitude nos vinhedos, a empresa plantou as uvas Syrah a 800 metros de altitude, Cabernet Sauvignon a 980 metros, Malbec a 1067 metros e Chardonnay a 1.200 metros.



Depois de várias décadas de experiência na produção de espumantes com a empresa Bodegas Chandon, inauguram finalmente no ano de 1999 a empresa Terrazas de los Andes.


O lugar escolhido foi uma antiga vinícola de estilo espanhol fundada no ano de 1898 por Sotero Arizu, que foi um dos precursores do vinho na Argentina. O estabelecimento foi totalmente restaurado para abrigar o novo empreendimento.


A vinícola conta com uma pousada com 6 quartos para receber jornalistas, convidados e amantes do vinho.

Fomos recebidos pelo enólogo da empresa, Adrián Meyer e pelo diretor da Chandon Garibaldi, Philippe Mevél.

Adrian contou detalhadamente o cuidado da empresa com a seleção do terroir e dos vinhedos. Durante a visita a empresa pode-se perceber o uso intenso da tecnologia e a atenção aos detalhes para se fazer vinhos de qualidade. A produção máxima por hectare fica entre 5.000 e 9.000 Kg / ha, dependendo da linha do vinho.



A empresa possui três linhas de vinho: Terrazas, Terrazas Reserva e Afincado. A linha Terrazas provém de uvas plantadas em vinhedos de Mendoza, com uma passagem de 4 a 6 meses por barricas de carvalho. Nessa linha são oferecidos os varietais Chardonnay, Malbec, Cabernet Sauvignon e Syrah. Já a Terrazas Reserva provém de vinhedos com vocação reconhecida em Mendoza: Tupungato, Vistalba, Perdriel e Cruz de Piedra. As quantidades produzidas são limitadas e apenas em safras excelentes. Os varietais oferecidos são os mesmos da linha Terrazas.

A linha Afincado tem a proposta de fazer um vinho ligado ao lugar, as características do terroir, do cru. “Finca” em espanhol significa ”propriedade rural” e a tradução do “afincado” seria um vinho identificado com esse lugar. Além de selecionar vinhedos com baixa produção, o cuidado é mantido durante a vinificação, onde são usados tanques de fermentação menores, maceração com pigeage (o chapéu é empurrado manualmente com pás), além de uma maceração mais longa dentre outros cuidados. São produzidos exclusivamente com a uva Malbec, a uva que alcança o seu esplendor em terras argentinas. Também é produzido somente em safras excepcionais.

E após a visitação na vinícola, chegamos ao ápice de nosso tour: a degustação dos excelentes vinhos da empresa. Tivemos a honra de ter a degustação guiada pelo enólogo português e diretor de enologia na Argentina, o Sr. Manoel Lozada.





Lozada é um apaixonado pelo que faz e um grande conhecedor do terroir Mendozino. Explicou a história da uva Malbec e entre um gole e outro pudemos entender a identidade da cada vinho da empresa.

Vinhos degustados:

- Chardonnay Terrazas Reserva 2007: 14° de álcool. Cor amarelo palha. Aromas tostados, cítricos, pimenta branca.

- Malbec Terrazas Reserva 2006: Tons violáceos. Aromas de ameixa, passa de uva e framboesa.

- Cabernet Sauvigon Reserva 2006: Vermelho rubi. Aromas maduros, cereja e cassis.

- Syrah Reserva 2006: cor intensa, vermelho intenso. Aromas cítricos como pomelo. Groselha e frutas vermelhas.

- Afincado Malbec 2005: este vinho com potencial de envelhecimento de 10 a 15 anos foi sem dúvida a estrela da degustação. Produzido com vinhas antigas, é concentrado, possui um belo corpo e aromas de especiarias, cacau, frutas vermelhas... um belo vinho!


O quê: Vinícola Terrazas de Los Andes

Visitação: agendar pelo e-mail visitor@terrazasdelosandes.com.ar ou pelo fone (54 261) 488 0058. Reservas para almoço, degustação e eventos. Serviço de pousada.

Horário: 10 hs, 12 hs e 15 hs, sempre com reserva prévia.

Maiores informações: www.terrazasdelosandes.com

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